1. Panorama macroeconômico dos EUA em 2024
Inflação, emprego e crescimento
Os números divulgados pelo Bureau of Economic Analysis (BEA) mostram que o PIB americano avançou 3,2 % anualizado no último trimestre, puxado pelo consumo de serviços, enquanto o Índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE) caiu para 2,4 % no acumulado de 12 meses. Mesmo com um mercado de trabalho ainda apertado — taxa de desemprego em 3,9 % —, a desaceleração inflacionária abre espaço para cortes graduais de juros, cenário vital para justificar múltiplos mais altos na bolsa.
Riscos geopolíticos e estabilidade
Conflitos no Oriente Médio, tensões na Ásia e eleições presidem ao pano de fundo. Apesar disso, a menor volatilidade implícita no índice VIX, abaixo de 14 pontos, sinaliza que os investidores veem a economia americana como porto seguro. O consenso “Goldilocks” (crescimento razoável + inflação em queda) sustenta projeções de lucro de 10 % para as empresas do S&P 500 em 2024.
- PIB resiliente acima da média histórica pós-pandemia;
- Inflação convergindo para a meta do Fed;
- Mercado de trabalho forte, porém moderando salários;
- Custos de insumos em baixa, graças à reabertura de cadeias globais;
- Dívida corporativa alongada, reduzindo risco de refinanciamento;
- Política fiscal controversa, mas ainda expansionista;
- Expectativa de três cortes de 0,25 p.p. cada até o fim do ano.
Caixa de Destaque #1 – Dica Prática:
Se você opera via BDRs ou ETFs internacionais, acompanhe de perto os dados do Core PCE. Uma surpresa de ±0,2 p.p. costuma mexer nos rendimentos dos Treasuries e, por tabela, na cotação dos principais índices.
2. Governo norte-americano na Intel: impacto estratégico
Segurança nacional e semicondutores
Em março, o Departamento de Comércio anunciou a aquisição de participação indireta de 10 % na Intel, dentro do programa CHIPS Act, destinado a reindustrializar a produção de semicondutores em solo americano. O aporte de US$ 8,5 bi inclui subsídios, créditos fiscais e compra antecipada de capacidade produtiva para fins militares e de IA.
Efeitos sobre competição global
Ao reforçar a Intel, Washington busca mitigar a dependência de Taiwan — lar da TSMC e elo vulnerável caso a tensão China-EUA se aprofunde. No curto prazo, a medida elevou em 14 % as ações da INTL (ticker Intel em NY) e colocou pressão sobre rivais como AMD e Nvidia no segmento de foundries.